domingo, 27 de agosto de 2017

Se tu pudesses escolher um "poder" qual seria; mudar o passado ou prever o futuro?

Daí meu filho do meio pergunta:
- Mãe, se tu pudesses escolher um "poder" qual seria; mudar o passado ou prever o futuro? 
Pergunta intrigante, não é mesmo? Porque ter poder é ter o direito de deliberar, de agir, de mandar e, dependendo do contexto, de exercer sua autoridade, sua soberania, e se apossar da influência ou da força. Acredito que seja quase que uma condição divina, meio "Deus".
Imagina, ter o poder de mudar o teu passado! Certamente isso acarretaria em mudar algumas escolhas, e consequentemente, alterar o teu presente. Talvez eu fosse veterinária, e certamente moraria em alguma fazenda distante, cuidando dos animais e vivendo junto à natureza. Certamente meus amigos não seriam os mesmos, talvez nem tivesse o privilégio de ter os meus três filhos, aliás, teria sim, sem dúvidas, mas talvez não fossem esses. 
Por outro lado, prever o futuro, não é um poder que me agrada. Tê-lo, tiraria todas as minhas emoções e surpresas, mesmo aquelas que não são tão boas. Os acontecimentos da minha vida perderiam o encanto, não colocaria foco em nenhum projeto, não desejaria ardentemente algo, não teria sonhos...É, prever o futuro é um poder que eu não desejaria.
Então escolho sim ter um poder: o de viver intensamente o meu presente, porque muitas vezes não consigo, porque geralmente estou remoendo algo do passado ou me "pré" ocupando com coisas que não sei se vão acontecer. 
Viver o presente é sim ter um grande poder nas mãos. Poder experimentar o cheiro agradável do café da manhã, sem se preocupar que está atrasada para o trabalho, poder apreciar o trajeto percebendo o florescer de mais uma árvore. Curtir cada momento do teu dia, a companhia de cada pessoa, ouvir atentamente, com carinho, a fala de cada um que cruza o teu caminho...e ao terminar o dia, estar com o coração repleto de gratidão por tudo que viveu, deixando esse dia no passado e acolhendo o próximo, o futuro, com boas expectativas, de que seja tão bom quanto hoje.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

É, todo o movimento é mesmo perfeito!

 Acredito que seja preciso mais espaço interno e emocional para fazer as mudanças acontecerem. Mas para isso é necessário entender que a vida é como ela é, e ela pode ser boa, pode ter mais leveza e fluidez quando acolhemos os nossos medos, porque é daí que vem a coragem, dos nossos medos.
Coragem para assumir o teu propósito, criar as tuas próprias regras, acolher teus desejos, teus interesses, tuas tolices, tuas verdades e até as tuas próprias mentiras. Acolher tua vulnerabilidade e aceitar quem tu és. A coragem vem disso, de amar quem tu és. E algo incrível acontece quando tu aceitas, acolhes e abraças as tuas decisões: tu não consegues mais ser outra pessoa, a não ser tu mesma.
E qual o resultado final? Como sei que minhas escolhas foram acertadas? Quando tu te sentes em paz com elas. Quando tu acolhes e vive as tuas escolhas, tu expressas e entregas para o mundo o teu propósito, a  tua verdade, a tua essência, àquilo que tu verdadeiramente acredita, e é nessa entrega que a gente agrega valor, que a gente muda o mundo, um mundo que está cheio de amor, geralmente escondido ou profundamente camuflado, e que precisa de verdades, mesmo que doa, para despertar.
E é aí, exatamente aí, neste movimento, que tu conquistas tua liberdade emocional, e passa a executar  as tuas próprias mudanças e te torna uma pessoa melhor.
É, todo o movimento é mesmo perfeito!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A louca do bairro

 Kelli era uma mulher à mil, com mil coisas para fazer: trabalho, casa, filhas...Ah, lindas e doces, mas que a enlouqueciam. Incrível o poder das mães de "acomodar" cada coisa no seu devido lugar. Leva uma para a escola, a outra para o Ballet, entre uma atividade e outra vai à feira, natural, claro. Busca uma filha, leva para a aula de canto, corre para não deixar a pequena esperando e nem se atrasar para a aula de teatro. Então ela pára e respira e fulmina um olhar para o fogão e logo pensa num preparo leve, rápido e saudável para servir às gurias, lindas, medonhas e famintas. E vai buscá-las em suas atividades, porque depois do almoço, tem mais. 
E a rotina chega à tarde, e leva uma para uma aula e outra para a outra e em meio a essa espera, tenta, cuidar um pouquinho dela, uma ioga talvez, às vezes consegue, às vezes não. E já vai pensando no jantar, e na receita deliciosa que suas pequenas poderão elas mesmas preparar, incentivando uma alimentação saudável. Mas lembra da roupa que ficou no varal e a comida do cachorro que acabou, e também precisa comprar.
E a tardinha, todos em casa, ela recolhe a roupa, alimenta o cachorro, manda as gurias para o banho, que como boas irmãs, brincam e brigam na mesma intensidade, e ela grita e xinga, e de repente olha para a sacada da vizinha, que a observa. E ela pensa: devem me achar a louca do bairro. 
Querida Kelli, adoro as novas conversas, ainda que poucas, mas muito me inspiram. Uma singela lembrança de um bom papo de arroio.


Pobre mídia

Minha postagem de hoje é o resultado de um propósito feito no último capítulo de uma novela há dois ou três anos, não lembro: o de não assistir mais a tal novela das oito, que sempre foi às nove. Propósito feito e realizado. 
Acredito de verdade no poder da palavra, naquilo que dizemos e OUVIMOS. Acredito de verdade que, o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Dia desses minha cunhada postou a notícia de um jornal impresso só com notícias boas. Achei sensacional! Imaginem só, um noticiário só com notícias boas!?
Mas acho que a mídia, e a população mundial, não se interessariam por isso. Para a mídia, não dá ibope. Para a população mundial...bem, talvez não tenham mais do que reclamar da vida. Isso seria um problema.
Banalizamos as notícias ruins, de tal forma, que passa a ser "normal" aquilo que é o fim dos tempos: filhos matando os pais, mães jogando filhos na lixeira, velhinhos sendo abandonados e mal tratados, crianças nas mãos de babás e escolas inescrupulosas. O bandido solto e o cidadão preso atrás das grades de sua casa. 
Juro, não consigo assistir televisão. Novelas então, por favor! É um atentado à nossa inteligência. E o pior é que vejo as pessoas falarem mal de novelas, BBB e afins...e continuam assistindo, e sabem cada capítulo, cada detalhe, comentando inclusive nas redes sociais.
Sério, sem falso moralismo: deixar uma criança assistir a uma novela ou um reality show nos níveis atuais, é tirar dela toda sua pureza e inocência. É tirar-lhe a infância.
Tantas coisas maravilhosas acontecendo no mundo, tantos bons exemplos a serem seguidos, e a sociedade aí, "dormenta", dando ibope as tragédias, que tornam as pessoas mais irritadas e estressadas, porque, sério, é assim que fico quando ouso assistir um pouco do noticiário. 
Claro que não sou uma alienada, eu leio. Se quero saber o que está acontecendo no mundo: leio! Exercito minha leitura. Faça seu filho ler algo para você na hora da novela (a menos, claro, que você não possa viver sem ela. Lamento!). Mas aí será uma escolha sua, o que ler e onde ler. Não lhe será enfiada goela abaixo nenhuma notícia cruel e sangrenta, com imagens que chocam, regada a um sensacionalismo barato, e também não terá nenhum âncora, com sua opinião (a da emissora) querendo lhe convencer de que aquilo está certo ou errado.
Mas confesso, sou "sofanática", meio romântica. Curto bons programas na TV, sim.  Bons filmes e "enlatados americanos" como diz o meu marido. Um bom programa de decoração e culinária, um repórter eco, um bom documentário e BOAS NOTÍCIAS, aquelas que nos inspiram. 
Pobre mídia, tão manipuladora...e pobre de nós! 


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

É, voltei!


Minha alma está cheia de coisas para contar, e mais uma vez fui engolida pela rotina. Às vezes acho que o mundo é pequeno demais para acomodar todos os meus pensamentos e acabo não realizando parte do que desejo, boa parte...faz tempo que não escrevo.
Sou do tipo que precisa de grandes sentimentos para me ajudar a escrever, então percebo que sou um tanto "normal", e chegar aos 40 anos e se dar conta disso, me assusta um pouco, apesar de saber que posso ainda viver pelo menos mais 40. Mas sei por que assusta: terei mais 40 anos, sem a disposição dos 20, o encantamento dos 30 e os medos dos 40.
Queria ser aquele tipo de mulher que consegue perceber tudo a sua volta, e outras coisas que estão num raio de distância ainda maior, sabe? Como se tivesse um GPS ou radar. Aquela mulher bem-sucedida em seu trabalho, que está sempre bem vestida, penteada, maquiada. Que tem a sua casa impecável, seus filhos, todos, bem cuidados, que consegue acompanhá-los, levá-los à escola, às consultas, e ainda ir para o trabalho e depois sair para jantar com o marido com um entusiasmo contagiante. Essas que a gente vê nos filmes. Fala sério! Essa mulher existe mesmo? Porque ela anda atormentando a minha vida. Sou muito competitiva, e ter essa mulher me perseguindo, angustia-me. Não sei se posso vencê-la.
Queria não dar ouvidos a tantas coisas, mas somos atacadas todos os dias pelo ideal almejado pela sociedade: a "bonita" do parágrafo anterior.
Essa semana fui de novo abordada para ser elogiada pela minha paciência, e no mesmo dia, criticada por isso. Esse discurso "não faça nada que não te deixe em paz consigo mesma; as opiniões dos outros, são realmente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós; não tem importância; e blábláblá" é tudo mentira, só serve como consolo. Nessas horas o melhor mesmo é mentir para si mesma.
Vivemos sim para agradar aos outros, para superar as expectativas, dos outros; para fazermos tudo certo, para os outros. E quando não conseguimos, sofremos. Assinamos nosso atestado de incompetência.
Por que não pode ser simples? Por que não podemos ser nós mesmos? Se não ferimos ninguém, se não prejudicamos ninguém, se temos qualidades, se somos do bem, por que nos preocupamos tanto em ser aceito?
Por que não posso fazer bem o que sei fazer? Por que tenho que fazer coisas que não sei, ou que não quero fazer? A menos, claro, que seja algo extremamente necessário, e que a vida não nos permitiu, por fatos e circunstâncias, outra escolha, ainda que sempre haja a opção: escolhas. Não pense aqui que sou irresponsável ou que banalizo coisas importantes, jamais. Não quero aqui me isentar de fazer o que tem que ser feito. Não. Mas às vezes vamos acumulando bagagens, sacolas, caixas, cheias e vazias, dos outros, para os outros.
O que escrevo não é poesia, não é romântico. É simplesmente a vida, descomplicada.
Por que tenho que ser uma bomba relógio? Por que não querer discutir, brigar ou viver a margem da ansiedade é confundida com apatia? Por que escolher não assistir novelas e noticiários sangrentos é sinônimo de alienação? Por que jeans, camiseta branca e havaianas te tornam desleixada? Por que ser "boazinha" te torna infantil ou fraca?
Por que a tranquilidade incomoda as pessoas?
"(...) Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.” Ana Jácomo
Mais amor, por favor!
É, voltei! Voltei a fazer uma das coisas que mais gosto: escrever!




 Ilustração de Íris Scuccato

domingo, 31 de agosto de 2014

O que faz você feliz, também faz alguém feliz?

Flávia era uma mulher tranquila, e encarava os desafios de sua vida de forma muito positiva. Ela acreditava que "tudo passa", mas que é preciso alguns ingredientes para administrar certos conflitos, além de maturidade e bom humor. Ela não entendia como as pessoas atribuíam tanto valor há certas coisas, que poderiam ser mais "leves" e  às vezes usam pesos e medidas equivocados que deixam a balança da vida desequilibrada.
Um dos ingredientes que Flávia costumava usar para temperar sua vida é a felicidade.
Felicidade: característica ou condição de feliz; sensação real de satisfação plena; estado de contentamento; satisfação. Estado de quem se encontra afortunado; com sorte. Circunstância ou situação que demonstra sucesso, êxito: felicidade na realização de um projeto.
E diante de tantas definições, percebia que a "medida" que nos deixa ou nos faz feliz não é a mesma. Para alguns um pouco mais (ou muito mais), para ela um pouco menos.
Acreditava que a felicidade provém de inúmeras e pequenas atitudes e decisões acertadas, e a preocupação com o bem-estar do outro é uma das mais importantes atitudes para a felicidade. Deixar o egoísmo de lado e buscar satisfazer as necessidades do outro acima das suas, tratar o outro como gostaríamos de ser tratado, fazer o bem, ser correto no agir, no falar e no pensar, colocar-se no lugar do outro sempre que tiver dúvida sobre o impacto de uma palavra ou decisão, e uma infinita lista de outras pequenas coisas resulta em felicidade.
Mas o que a atormentava nos últimos dias era: O que faz você feliz, também faz alguém feliz?
E quando não conseguia deixar os outros felizes, quando não conseguia promover todas essas sensações de bem estar naqueles que ela queria bem? Quando não conseguia superar as expectativas dos outros? E quando não era capaz disso?
Que responsabilidade enorme fazer o outro feliz, mas responsabilidade maior ainda não conseguir.
Então Flávia pedia: "Querida Felicidade, já que estás dentro de mim, e sei que estás me permita transbordá-la, ou até me esvazie, mas faça feliz quem quero bem."
Ela achava que a felicidade não é algo que se conquista de uma hora para outra, por isso, sempre era feliz e grata agora com o que tem, ainda que para algumas pessoas pareça contentar-se com pouco.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um novo olhar sobre a educação.

Tenho me torturado com a atual realidade das salas de aula. A última, foi ouvir da professora da disciplina do Ensino da Matemática na Educação Infantil, do Curso de Pedagogia, que há um "novo pensar" sobre a forma que a Matemática é ensinada na educação infantil, como: "por que ensinar primeiro o número 1?" Como assim? Tenho que ensinar primeiro o número 5? Sinceramente? Estou farta de tantos "novos olhares", "novos pensares"... Tem muita gente dando palpite. Tem muita gente estudada apresentando teorias intermináveis, revolucionárias (no pior sentido da palavra), a maioria delas que NÃO estão em sala de aula.
No meu tempo de aluna, nas séries iniciais, professor era soberano. E não me refiro aqui a um professor autoritário, não. Na verdade, sou privilegiada, não me lembro de ter tido um professor assim. Lembro-me de professores exigentes, sérios, comprometidos com o seu trabalho, formadores de opinião e que não me causaram nenhum trauma. Hoje o professor é um mediador. Mediador? Na minha opinião, professor é um agente FORMADOR, TRANSFORMADOR. 
Ouço um discurso político de que é preciso acabar com o analfabetismo no Brasil e o governo cria um programa que permite o aluno chegar no 3º ano do ensino fundamental sem saber ler!
Isso é, na minha opinião, assinar seu próprio atestado de incompetência. 
Nossos alunos não precisam mais ler e interpretar, precisam apenas ser promovidos, porque o governo precisa de números, de índices que comprovem sua eficiência na educação através da NÃO retenção. Mudam-se os termos, as formas, mas não mudam a essência e o conteúdo.
Os especialistas dizem para os professores: "Não sofram", é assim mesmo, hoje o professor não detêm mais o conhecimento, ele é apenas um mediador no processo da construção do conhecimento..." 
Repito; se esse fosse um status de rede social, eu diria: se sentindo incomodada, inconformada, aborrecida...