segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A pedagogia com cara de roupa de domingo


Quando eu era pequena tínhamos a roupa de domingo, aquela roupa para ocasiões especiais. A expectativa para vesti-la trazia uma sensação maravilhosa, pois era o dia de ficar "bonita", de roupa nova, de sapato novo e de cabelo bem arrumado. Vestir a roupa de domingo era a certeza de um dia feliz, porque a gente ia almoçar na casa da vó ou da dinda. Era vestir-se para o encontro... o encontro com o outro.
Já li muito sobre isso: a pedagogia do oprimido, a pedagogia do limite, a pedagogia da autonomia... mas a pedagogia com cara de roupa de domingo, frase compartilhada gentilmente por uma especialista em educação, querida Vanise (como sabem, as pessoas me inspiram), em minha opinião, é o resumo lindo de todas elas. Porque falar da roupa com cara de domingo nos remete à nossa memória afetiva e onde tem afeto, tem significado. Onde tem significado, tem aprendizado. 
Acredito que se a gente sair de casa todos os dias com a nossa alma vestida com a roupa de domingo, certamente seremos a nossa melhor versão. Sair de casa com a alma bem vestida sugere entusiasmo, expectativa, vontade, energia. É como se arrumar para ver alguém especial. É sair de casa apaixonado pelo que faz!
Mas não se limite aqui ao universo escolar por estar falando em pedagogia. A pedagogia é ampla e generosa, recebe a influência de várias ciências, mas antes de ser uma ciência é uma arte, porque é preciso sensibilidade para fazê-la. Envolve os cinco sentidos, é lúdica, adorável, intuitiva... e por isso, um tanto permissiva, tolerante, paciente, pois permite ser desfrutada em todas as áreas de nossa vida.  


E você, que roupa vestiu hoje?

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Escuta Sensível



Essa semana, ouvi um termo que apesar de técnico, inclusive na educação, eu ainda não conhecia: a "escuta sensível". Em um mundo com tantos ruídos é difícil predispor-se a ouvir, porque ouvir significa compreender o outro a partir do olhar alheio, da lógica alheia. Significa abandonar a estabilidade do conhecido para enxergar a partir do prisma do outro. E para isso é necessário consciência sobre as suas próprias lógicas para abrir-se para novas. Segundo Freire, ouvir implica respeito e tolerância e é precondição para o diálogo.  
A escuta sensível se apoia na empatia. É saber sentir o universo afetivo, imaginário e cognitivo do outro para poder compreender de dentro suas atitudes, comportamentos e valores.
Nessa minha fase de ressignificar, escuta sensível, para mim, é ouvir o que não é dito, não com palavras. Escuta sensível é ouvir a distância, o silêncio, a pausa, as reticências.. É ouvir o movimento,  o passo, o olhar, o toque. É ouvir a energia do outro. E para isso é preciso estar atento e disponível, porque o ouvinte sensível não julga, não mede, não compara. Ele compreende sem absorver ou se identificar às opiniões dos outros. Enfim... Acho que é ouvir com o coração. "Ouvir com mais empatia ajuda a liberar emoções. Promove confiança, respeito, redução de tensões e com isso facilita a resolução de problemas — tanto pra quem fala, quanto pra quem ouve."

Que possamos ter mais pessoas com escuta sensível e com esse olhar de mundo no mundo!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O que eu quero gritar para o mundo?


Mais uma vez pedi aos amigos que contribuíssem com meu bog, com o último texto do ano, e pedi que me dissessem o que gostariam de gritar para o mundo. Alguma coisa especial ou importante, que só a gente sabe, que está entalado, e que precisamos fazer entender. Generosamente, recebi muitas contribuições, desde um simples: "Manda um oi pro mundo" e  um encantador "Hoje eu quero gritar para o mundo: Bom dia!!! E ter a certeza que você escutaria!" até as versões mais românticas e musicais do tipo: "eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir", quero gritar somente AMOR. Na verdade o nome dessa postagem deveria ser "Mais Amor, Por Favor,", o grito top da lista, já que qualquer forma de amor vale a pena.
Nessa minha linda e complexa lista, pude perceber que estou cercada de pessoas muito especiais. Pessoas cansadas de impaciência, desamor e intolerância, gritando: "Calma, seja mais tolerante!”. 
Pessoas que pedem apenas: "Que eu seja muito feliz e tenha muita paz!" seguido de um envergonhado: ”Que egoísta eu, né”? Egoísta? Desejamos algo tão simples e achamos que não temos esse direito. 
Recebi o grito de amigas queridas pedindo por elas mesmas e por outras mulheres: "Me respeitem! Como mulher, mãe, profissional, cidadã, consumidora, brasileira, ser humano”. Li gritos de pessoas cansadas da ambição desmedida: ”Parem de correr atrás do dinheiro, ele é apenas consequência.”
Mais empatia e menos hipocrisia, mais perdão e gratidão, e paz, paz, paz, eu só quero paz! Ouvi o grito de que tudo passa e que é preciso apenas ter fé. Seja otimista e se dê uma chance para o que for novo! Afinal, pra que sofrer? É preciso saber viver! E para isso, basta apenas abrir os olhos para enxergar as belezas da vida e desfrutar de pequenas, mas intensas sensações,  como a de se tornar mãe, ainda que cedo e poder gritar: "Eu sou feliz, eu amo a minha vida, eu amo a minha família, eu vou ser uma pessoa melhor". 
Mas mesmo em meio a tantos gritos, é importante lembrar que o espaço é de todos, então, menos barulho, mais seriedade e mais respeito, principalmente na política.
E ao final disso tudo, a cereja do meu bolo, recebo essa mensagem: "muito obrigado pela oportunidade de gritar para o mundo!" Fantástico isso, não?
Então, dê o seu grito para o mundo, e cochiche ao seu ouvido para que você também faça a sua parte e contribua com o seu propósito de vida na construção de um mundo melhor, sendo ser de luz, de fé e de espírito pleno, porque nada é mais forte que isso.
E eu, o que eu gostaria de gritar para o mundo? "Mesmo se as chances forem uma em um milhão, você só precisa de uma! Coragem!"


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O vulcão que mora dentro da gente


Hoje o que me inspira a escrever são todos os sentimentos, pensamentos e palavras que moram dentro da gente, e por serem tantos, lembrei-me de um vulcão. A palavra vulcão vem do latim Vulcanus, deus romano do fogo, chamado de Hefestos pelos gregos. 
Quando um vulcão entra em  erupção, em atividade, pode provocar terremotos, e é mais ou menos isso que acontece com a bagunça que está dentro da gente quando não conseguimos de alguma forma acomodar, organizar e até setorizar esses sentimentos, pensamentos e palavras, e podemos acabar lançando na atmosfera grande quantidade de materiais magmáticos, nessa metáfora, o mesmo que palavras ao vento, crises de pânico ou ansiedade.
Assim como a energia dos vulcões ativos se dá pelos movimentos das placas da crosta, o vulcão que mora dentro da gente gera energia, se movimenta e "bum" quando estamos tentando organizar nossa bagunça interna. Geralmente os vulcões situam-se nas fronteiras das placas mais importantes, algo do tipo, "lá no fundo da nossa alma". Alguns se encontram em estado de erupção permanente, o que dá a algumas pessoas o privilégio de terem maior controle de suas emoções, pois passam o tempo todo em estado de alerta. Outros vulcões permanecem em estado de atividade moderada durante períodos mais ou menos longos e depois ficam em repouso, ou adormecidos, durante meses, anos e até décadas. Algumas pessoas são assim também, e correm o risco de sofrer com uma espécie de erupção repentina e violenta, uma vez que, quando a lava está muito carregada de vapor e outros gases, ou seja, quando estamos carregados de nossos medos, que escapam com explosões e sobem formando nuvens turvas, semelhantes àquelas que rondam nossas ideias quando estamos cheios de pesos e bagagens que não são nossas e que por alguma razão nos deram para a gente carregar.
Falar em vulcão em erupção é meio assustador, nos remete a ideia de grandes tragédias, mas o vulcanismo na formação do planeta é fundamental, pois sem as erupções, não haveria, por exemplo, cadeias de montanhas. E, sem os gases e vapores que os vulcões expelem, a atmosfera não existiria, impedindo, portanto o surgimento da vida. Em outras palavras, tudo isso que está dentro da gente que provoca todos os tipos de sentimentos e as mais variadas emoções e reações é o que nos impulsiona a tomar nossas decisões e fazer nossas escolhas. A nossa coragem é a lava do nosso vulcão adormecido. Assim como as erupções e os terremotos são responsáveis pela deriva continental, que faz os continentes se afastarem ou se aproximarem uns dos outros, o mesmo acontece com a gente; às vezes temos que entrar em erupção para nos afastar do que nos faz mal e nos aproximar do que nos faz bem!

sábado, 23 de dezembro de 2017

O reencontro e o seu ressignificado

Meu texto de hoje foi inspirado em Marcus, o "James", um frisante seco e bem gelado, apreciado com moderação, na verdade, nem tanto. Reencontrar: tornar a achar, a encontrar; descobrir o que estava perdido. Reencontrar significa encontrar novamente em outro momento.
Em "O Livro dos Ressignificados", João Doerdelein - @akapoeta ressignifica reencontro:
reencontro(s.m.): é poder olhar nos teus olhos de verdade, sem precisar abrir a tua foto no wathsaap. é fazer as chamadas de vídeo valer a pena. é o presente e o passado fazendo um poema, é tirar o pó da lembrança do seu beijo. é o que antes de dormir ainda desejo. é aquilo que mantem vivo um amor constantemente machucado pela distância
Então, quis eu, ressignificar REENCONTRO.  Esse encontro que o destino permite, novamente, eventualmente, por algum motivo, que ainda não sabemos. Ás vezes não vivemos num tempo determinado certas coisas, mas elas ficam escritas e predestinadas a acontecer. O reencontro faz isso! É como um embrulho de presente que não foi entregue há mais ou menos 26 anos, e de repente tu recebe, abre e te depara com uma energia que transborda e te renova, e faz lembrar quem tu é de verdade. 
Reencontrar significa experimentar as tuas melhores memórias afetivas, é te remeter a um tempo de alegrias intensas e acontecimentos que não irão se repetir, pelo menos não da mesma forma nem na mesma intensidade. Reencontrar é sentir um cheiro que só tu lembra, é experimentar o gosto do beijo que tu nunca provou, é sentir o mais forte, longo e doce abraço, é falar com olhos, e ler nas entrelinhas. 
Ressignificar reencontro é conversar por horas, sem cansar, é se repetir em palavras e não enjoar. É querer ter, por um momento, 16 anos, novamente. É ouvir confissões de adolescentes sobre o que sentia e o que queria, e arrancar sorrisos e risadas, até gargalhadas, àquelas que vêm da alma, que te fazem tão, tão feliz, de novo, não que a gente não seja, mas o reencontro te bate no ombro e mostra as tuas escolhas, as que tu fez e as que tu não fez. Reencontro é lembrar a música que embalava nossos sonhos, projetos e amores. Ressignificar reencontro é acolher a si mesmo, por inteiro, sem vírgulas, concluindo as reticências. Reencontrar: lembrar a cor que tu pintava a vida e pintar ela de novo. Então permita-se! Reencontre-se e ressignifique!
E que venham outros! 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Ainda dá tempo em 2017

Como sempre: as pessoas me inspiram. Li essa frase, título da minha postagem de hoje, no perfil de uma instrutora do MP- Método do Movimento Perfeito e mais uma vez fui nocauteada.
O que planejei para esse ano e ainda não consegui realizar? Pedi para alguns amigos que me citassem um item, apenas um, de sua lista de coisas para fazer em 2017 e que ainda não haviam conseguido. A melhor delas foi: - Bah Jana, nem lembro se fiz lista... hahahahahaha.
Com os itens em mãos fui pesquisar e buscar estratégias para que eu e meus amigos possamos realizar pelo menos uma de nossas metas ainda esse ano.
Para a clássica, perder peso, por exemplo, é simples. Hoje é dia 01/12. Temos ainda 30 dias para terminar o ano. Vamos descontar a "semana gorda" entre Natal e Ano Novo, porque queremos chegar lá mais magros, e considerar então 23 dias. Isso equivale a três semanas cheias. Numa proposta de dieta saudável, os nutricionistas aconselham perder um quilo por semana, sendo assim, poderemos eliminar três quilos de nossas vidas. E digo ELIMINAR, porque como somos muito sortudos, se perder, a gente acha. Para deixar essa meta mais alcançável, isso significa que temos que eliminar mais ou menos 130 gramas por dia. Assim parece mais fácil, né? E aqui posso acrescentar ainda, para àqueles que tinham como meta e não conseguiram se reeducar e ter uma alimentação mais saudável, que ainda dá tempo: trocando pequenos velhos hábitos, diários, por novos, bem saudáveis. Por exemplo: coloque uma banana ou uma maçã na bolsa e coma lá pelas 10 horas e ande com uma garrafinha de água. Coloque nela um rótulo inspirador, uma espécie de mantra, quem sabe lhe ajude a lembrar de bebê-la? Ah, e para ti que queria a barriga chapada, tem uma série de quinze minutos por dia de abdominais para ficar com a barriga lisa e durinha em quatorze dias.
Outra meta ainda não alcançada, a top de todas, acreditem, a mais citada, foi, ler mais! Bem, se faltam ainda 23 dias, considerando um livro com 287 páginas, que é o livro que eu tenho e ainda não li, por exemplo, podemos ler 11 ou 12 páginas por dia. Mais fácil, não é?
Uma amiga escreveu dizendo que sua meta não realizada é passear sem rumo com a família. O que faltou? Tempo? Dinheiro? Saia, vá...acho que é uma das metas mais simples e afetuosas que li. Vai gastar quanto? Um tanque ou dois de gasolina? Um final de semana? Ainda dá tempo minha amiga! Não precisa nem planejamento, é apenas ir. 
Outra meta que li era viajar de avião para o Rio de Janeiro. O que eu tenho a dizer? O Rio de Janeiro continua lindo, mas ainda dá tempo em dezembro, não espere até fevereiro e março. Pacotes promocionais, parceladinhos, levinhos para uma família linda como a tua desfrutar, minha querida amiga!
Outra meta que recebi foi perder o medo de dirigir. Só tem um jeito: DIRIJA! De preferência sozinha, sem interferências nem palpites. Vá, ainda dá tempo. Agora, tirar a carteira de habilitação demanda tempo e organização. Talvez tu não consigas esse ano ainda, mas comece!
Para as duas amigas que desejavam engravidar, ainda dá tempo! Acreditem e pratiquem...hahahahahaha.
Li duas metas que também fizeram parte da minha lista esse ano: autonomia financeira e equilíbrio emocional. Eu não consegui sozinha, precisei me educar para isso, com um curso de formação pessoal. Fiz em cinco semanas, então, ainda dá tempo. Às vezes precisamos de um norte, uma orientação, um empurrãozinho. Tentem!
E por fim, para quem desejou ter tido um jantar romântico no dia dos namorados, ainda dá tempo, só troque a data, vislumbre um jantar romântico em 31/12 e comece 2018, cheia de amor!
E também dá tempo de dar aquele abraço, fazer aquela ligação, responder aquele e-mail...Desculpa se você esperava por um milagre. Eu não disse que seria fácil, todas as metas exigem um pouquinho de nós. Pense, elabore uma estratégia.... porque ainda dá tempo! Boa Sorte!

domingo, 12 de novembro de 2017

O nível da prova revela o nível do teu propósito

O título da minha postagem de hoje, "O nível da prova revela o nível do teu propósito", eu li no perfil de uma amiga, em uma rede social. Essa frase me tocou muito. Apesar de ter um cunho bastante religioso, ela vem carregada de muitos significados para mim. Traz as respostas para o peso das minhas escolhas e tomada de decisões.
Ter um propósito é ter grande vontade de realizar ou de alcançar alguma coisa. E tornar o meu pedaço do mundo um lugar melhor para viver é o meu propósito de vida! 
Mas a vida nos desafia todos os dias, e para isso ela promove os encontros. Na verdade o encontro com o outro é que me desafia.
Porque relacionar-se é entrega. Para entregar-se e acolher a entrega do outro, independente do tipo de relacionamento, é um ato de coragem e confiança. São nos relacionamentos que experimentamos o gosto doce dos afetos ou o amargo dos desafetos. São os relacionamentos que nos trazem as maiores provas, porque eles nos apresentam as pessoas como elas realmente são, em suas verdades, em suas intenções, em suas palavras e em suas ações. 
Quando nos relacionamos de verdade, entramos em um nível de entrega e confiança tão grandes que temos a sensação de que podemos nos "atirar" que alguém vai nos segurar. E é aí, exatamente aí, quem vem o tamanho da prova. 
A inteligência nos permite conhecer a verdade e a liberdade nos permite a opção de escolha. E a felicidade? A felicidade é a consequência de nossas escolhas. 
Agora basta questionar-se a si mesmo: as minhas escolhas estão de acordo com a minha finalidade, com o meu propósito?
É preciso “dar-se conta” o tempo todo. Qual o vício ou o mau que me vence, que me afasta do meu propósito? É preciso SER de verdade, trazer para a consciência o seu propósito e ser construtor, não expectador.
Mas não basta ser gente e existir para tornar o meu pedaço do mundo um lugar melhor para viver. É preciso assumir o que é meu, o que veio para mim, a partir ou não, das minhas escolhas. 
A vida te apresenta infinitas possibilidades. Mas não esqueça que quanto mais desafiador, maior o nível da profundidade. Aceitar o convite da vida, o chamado, a prova... é viver o seu o propósito, no meu caso, ser feliz.